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Papinho ‘biodesagradável’

Retirado do Jornal da Tarde – edição de 1 de março de 2009

CADERNO DE TV
Giuliana Reginatto

Eu não venho trabalhar de bicicleta. Também não tenho horta em casa e jamais me engajei na causa da ararinha azul. Alguém já viu alguma por aí? Sinceramente, me sentiria hipócrita se dissesse que penso nela, que nem sei como se parece, todas as noites, em minhas orações. Isso foi cruel, eu sei. Sei também que assuntos ligados à ecologia são recebidos sempre com olhos desconfiados, bocejos e piadas. Ninguém suporta um ‘ecochato’. Sinto vontade de tossir até hoje ao lembrar das intermináveis pesquisas sobre a camada de ozônio que me obrigaram a fazer no colégio por ocasião da ‘Eco 92’. Naquele ano, a cor verde, que significava passagem livre, virou sinal de alerta: pare, vem aí um papo muito ‘biodesagradável’. Não é fácil tolerar tantas críticas a essa vida confortável, brindada com carros particulares e sacolinhas coloridas. E daí? Eu também não gosto que venham me dizer para pegar carona ou usar ecobags. Mas gosto de comer bacalhau. E provavelmente tenha apenas mais 20 Páscoas para saboreá-lo: essa é a previsão para que o peixe, segundo o Conselho Internacional de Exploração dos Mares, entre em extinção. É, serei obrigada a pensar mais neles. E a rever alguns hábitos de consumo que já não cabem mais no mundo de hoje. Sustentabilidade não é questão de escolha. Você, cedo ou tarde, vai ser intimado a pensar nela durante uma tarefa cotidiana qualquer. Isso não precisa ser chato. Diria, até, que pode ser elegante. O que é mais chique: usar guardanapo de pano ou de papel? É possível ser ecofashion, sem neuroses. Nossa ideia é chegar a uma ecologia passível de ser praticada em São Paulo. E, se vamos usar papel para falar sobre isso, que seja útil. Uma árvore morre para produzir 50 kg de papel, um pouco dele está aqui. Que o sacrifício valha a pena.


Carnaval 2009

Minha primeira cobertura de carnaval.

Carnaval São Luiz do Paraitinga: VNews acompanha Juca Teles em dia de Folia

Ticiane Toledo
Do VNews, em São Luiz do Paraitinga

Poderia uma cidade receber o quádruplo de seus habitantes em um único dia? São Luiz do Paraitinga mostra que isso é possível. Somente neste último sábado (21), 20 mil pessoas visitaram o município em busca do carnaval mais tradicional da região – e de fama internacional, inclusive. A expectativa é que 150 mil turistas passem pela cidade durante os cinco dias da festa.

Segundo informações da prefeitura, ao longo do dia, este número chegou a aumentar para até 25 mil. Assim, pela primeira vez na história do carnaval luisense, a cidade não conseguiu mais comportar visitantes. Com estacionamentos e ruas abarrotadas, à noite já não era mais possível entrar em São Luiz. Quem chegava era orientado a voltar para casa. A prefeitura calcula que cerca de 800 carros foram barrados no portal de entrada do município.

Grande parte da procura por São Luiz do Paraitinga deve-se ao desfile do bloco Juca Teles, que há mais de 25 anos arrasta multidões com suas marchinhas e seus bonecos gigantes. Apesar do longo tempo sem mudar enredo ou os anfitriões, o bloco se renova ano após ano e atrai cada vez mais gente.

Com tantos fãs, era fácil se perder em meio às milhares de pessoas que seguiam Juca Teles e Nhá Fabiana. Uma fila cujo fim não se via. Só era possível ouvir o coro de vozes que acompanhavam em alto e bom tom “as palavras de amor” do casal.

Uma festa democrática que acolhe gente de todas as idades, cidades, tribos ou religiões. No carnaval, as diferenças são deixadas de lado, e a multidão se une para espalhar a animação típica dos brasileiros.

Em um dia em que os termômetros beiraram os 30°C, a chuva no final da tarde aliviou o tempo quente e recarregou os ânimos para a noite. Mas nem mesmo o calor ou a falta d’água conseguiram desanimar estes foliões. Faça chuva ou faça sol, para eles tudo é festa, tudo é alegria. Esse é o carnaval de São Luiz do Paraitinga.

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Publicado em 22/02/2009, no site VNews.
Para conferir as fotos, de minha autoria, do carnaval de São Luiz, clique aqui.